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Fez tatuagem? Prazo para doar sangue cai para 7 dias com novas regras
Mudanças já estão em vigor no Brasil e também alteram critérios para maiores de 70 anos, uso de medicamentos injetáveis, endoscopia, procedimentos estéticos e exposição à malária.
07/10/2026 17h33
Por: Diego Singolani
Pelas regras anteriores, pessoas que fazem tatuagem podiam ficar impedidas de doar por períodos que chegavam a 12 meses; foto: reprodução/internet.

Quem fez tatuagem pode voltar a doar sangue apenas sete dias depois do procedimento, desde que seja possível comprovar que ele foi realizado em condições adequadas de segurança. A redução do prazo é uma das principais novidades das novas regras para doação de sangue que já estão em vigor em todo o Brasil.

A atualização, porém, vai além das tatuagens. As novas normas também permitem que doadores habituais continuem doando após os 70 anos, estabelecem critérios para quem utiliza as chamadas "canetas emagrecedoras", como os usados no tratamento de diabetes e obesidade, alteram prazos relacionados a endoscopias, procedimentos estéticos, uso de anabolizantes e hormônios injetáveis e modificam regras para pessoas que estiveram em áreas de risco para malária.

As mudanças foram estabelecidas pelo Ministério da Saúde e reformulam os regulamentos técnicos utilizados pelos serviços de hemoterapia do país. A norma busca atualizar os critérios de seleção dos candidatos e manter a proteção tanto de quem doa quanto de quem recebe o sangue.

Tatuagem e procedimentos estéticos

Uma das alterações mais significativas está justamente no prazo para quem fez tatuagem. Pelas regras anteriores, essas pessoas podiam ficar impedidas de doar por períodos que chegavam a 12 meses.

Agora, o candidato poderá voltar a doar depois de sete dias, desde que seja possível avaliar a segurança e as condições em que o procedimento foi realizado. Caso isso não possa ser comprovado, o período de impedimento será de quatro meses.

A regra também alcança procedimentos como acupuntura, maquiagem definitiva e intervenções estéticas invasivas, entre elas aplicação de botox, preenchimentos e microagulhamento.

Há uma regra específica para piercing colocado na boca ou na região genital. Nesses casos, a pessoa permanece impedida de doar enquanto estiver com o acessório e deverá aguardar quatro meses após a retirada.

Canetas emagrecedoras não impedem doação automaticamente

Outra novidade envolve medicamentos injetáveis agonistas de GLP-1, grupo que inclui substâncias presentes em medicamentos como Ozempic e Mounjaro.

O simples uso desse tipo de medicamento não torna a pessoa automaticamente inapta para doar sangue. A restrição de quatro meses é aplicada a candidatos que tenham histórico de compartilhamento do dispositivo utilizado para aplicação.

Isso significa, por exemplo, que uma pessoa em tratamento com semaglutida não fica impedida de doar apenas por utilizar o medicamento.

O uso de qualquer medicamento, no entanto, deverá ser informado durante a triagem. O profissional responsável avaliará tanto a substância utilizada quanto a condição clínica que motivou o tratamento.

Doadores habituais poderão continuar após os 70 anos

A atualização também traz uma mudança importante para os doadores mais velhos.

A regra geral continua estabelecendo que os doadores tenham entre 16 e 69 anos. Para quem pretende doar pela primeira vez, o limite permanece em 60 anos, 11 meses e 29 dias.

A novidade é que pessoas que já são doadoras de repetição poderão continuar doando depois dos 70 anos, desde que sejam avaliadas por um médico do serviço de hemoterapia e consideradas aptas.

Endoscopia exige quatro meses de espera

Quem passar por procedimento endoscópico deverá aguardar quatro meses antes de doar sangue. O período começa a ser contado a partir da data do exame.

A regra integra a tabela que estabelece períodos de inaptidão temporária relacionados a cirurgias e procedimentos invasivos.

Anabolizantes e hormônios injetáveis

Também ficam impedidas de doar por quatro meses após a última utilização as pessoas que tenham usado anabolizantes ou hormônios injetáveis, por via intramuscular ou intravenosa, sem prescrição médica.

Quando esses produtos são utilizados sob orientação médica, não existe impedimento automático. Nesse caso, o serviço de hemoterapia deverá avaliar durante a triagem o motivo pelo qual o tratamento foi prescrito.

Novos critérios para malária

As regras também foram atualizadas para situações relacionadas à malária.

Quem tiver se deslocado para municípios de áreas endêmicas ou realizado atividades com exposição a mata, bosque ou floresta em regiões consideradas de risco deverá aguardar 30 dias para doar.

Para pessoas que efetivamente tiveram malária, o período de impedimento varia conforme a espécie do parasita.

Após a cura, são 12 meses de impedimento nos casos de infecção por Plasmodium falciparum e três anos para Plasmodium vivax ou Plasmodium ovale. Nos casos de Plasmodium malariae, a inaptidão é definitiva.

O que continua valendo

Apesar das mudanças, a liberação para doar sangue não é automática. A decisão final continua sendo tomada individualmente durante a triagem clínica realizada pelo serviço de hemoterapia.

O candidato passa por uma entrevista em que são avaliados estado de saúde, histórico de doenças, medicamentos em uso, gestação, alimentação, consumo de álcool e outros fatores que possam representar risco para o próprio doador ou para quem receberá o sangue.

O peso mínimo de 50 quilos também permanece como regra geral.

Homens podem realizar até quatro doações de sangue total em um período de 12 meses, respeitando intervalo mínimo de dois meses entre elas. Para mulheres, são permitidas até três doações no mesmo período, com intervalo mínimo de três meses.